Na 61ª AG da CNBB, presidente do Cimi destaca os caminhos de esperança e resistência dos 305 povos indígenas no Brasil

O Conselho Indigenista do Brasil (Cimi) tem sido uma voz profética da Igreja católica em defesa dos povos originários há mais de 50 anos. Um caminho que contou com a colaboração de muitos missionários e missionárias e de vários bispos que assumiram a presidência do organismo, um serviço que atualmente presta o arcebispo de Manaus (AM), cardeal Leonardo Steiner, que iniciou sua apresentação dos trabalhos do CIMI aos participantes da 61ª Assembleia Geral da CNBB, agradecendo o trabalhos dos dois últimos presidentes: o arcebispo de Porto Velho (RO), dom Roque Paloschi, o e bispo emérito do Xingú, dom Erwin Kräutler.

O presidente do Cimi mostrou como foi recebida na comunidade Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR), a catequista indígena Deolinda Melchior da Silva, após receber no dia 13 de abril o Ministério de catequista no Santuário Nacional de Aparecida, durante a assembleia da CNBB. Ele lembrou que em 1974, cinquenta anos atrás, um grupo de seis bispos e de outros seis padres e freis, publicaram o documento “Y-Juca-Pirama: o índio, aquele que deve morrer. Documento de urgência de bispos e missionários”.

O texto “denunciava, profeticamente, os ‘decretos de extermínio’ que pairavam sobre a vida dos povos indígenas e anunciava, com esperança destemida, os ‘caminhos de esperança’ na luta por direitos dos povos indígenas”. Nesse tempo, o Cimi como Igreja, insistindo nesse ser Igreja, “atuou na defesa da vida, dos direitos e do protagonismo dos povos indígenas, cuja existência é boa notícia para o mundo e que hoje representam um sujeito coletivo com participação expressiva na vida do país”, enfatizou dom Leonardo.

Igualmente, ele destacou que nos últimos seis anos, em que o Brasil viveu um período extremamente conturbado, os povos indígenas não deixaram de mobilizar-se, destacando, com palavras do Papa Francisco, a importância do território, e da defesa da Ecologia Integral e do Cuidado de Criação, de nossa Casa Comum. No atual governo, os passos dados ainda não são suficientes, com episódios dramáticos, como aconteceu em janeiro de 2023 com o Povo Yanomami e Ye´kuana.

Outra situação que demanda grande atenção é o “marco temporal”, que dom Leonardo definiu como algo que “constitui uma imoralidade e uma injustiça, porque significa uma declaração de impunidade contra todas as atrocidades cometidas contra os povos indígenas antes de 1988, com o permanente extermínio, despejo e desapropriação de seus territórios”. Diante dessa situação relatou o empenho do Cimi para conseguir derrubar essa tese no âmbito do Poder Judiciário.

Diante do sofrimento dos povos indígenas, relatando diversos exemplos disso, o presidente do Cimi lembrou das palavras de Marçal de Souza Tupã’i ao Papa João Paulo II em 1980, denunciando situações de sofrimento ainda presentes na vida dos povos indígenas. Ele destacou os caminhos de esperança e resistência dos 305 povos que resistem no Brasil, com sua diversidade e espiritualidades, que “nos ajudam a todos a acreditar que é possível um mundo mais justo e sustentável, rico na diversidade”.

Segundo seu presidente, “o Cimi, após 52 anos de vida e de missão, quer continuar sendo fiel às intuições pastorais e proféticas que o geraram”, dizendo caminhar com esperança diante dos desafios, apoiando a mobilização dos povos indígenas. Finalmente lembrou a orientação do Papa Francisco a ouvir os povos indígenas, e agradeceu em nome dos missionários e missionárias do Cimi o apoio nas dioceses e da CNBB, especialmente no que se refere ao Marco Temporal.

Credito: Pe. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

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